Não falo daquelas lembranças que a gente curte ter não. aquelas como lembrança do primeiro beijo, da primeira boneca, da primeira, ou a última transa...
falo de lembranças que você sonha com o dia que vai esquecer, mas...
ELAS SEMPRE VOLTAM!
Na verdade, elas nunca se vão por completo...o que a gente faz e fingir que as esqueceu. A gente engana a lembrança.
Faz de conta que não viveu, que foi só um sonho ruim e que passou quando você abriu os olhos. e quando ela te cerca, te espreita, tentando entrar na sua cabeça, você vira a cara, começa a assoviar para disfarçar... Mas tem sempre um maldito gatilho, algo que você, quando menos se espera, vê ou ouve e traz de volta tudo na cabeça... Malditos gatilhos também!
A gente passa anos às vezes sem se recordar, pensando que tá muito distante de você e que a ferida finalmente se fechou...mas tem algumas que nunca fecham por completo porque mexem com o orgulho da gente (maldito orgulho humano também...)
A gente cresce, vive, envelhece, mas não esquece...
O medo de tudo voltar, o pânico da dor retornar e você vivenciar toda a humilhação e vergonha outra vez ficam te assombrando... aquela lembrança ali, com o sorrisinho no canto da boca, esfregando as mãozinhas como vilão de história em quadrinho...
e você coloca todas as lembranças de volta na cabeça...tira do baú do esquecimento...que poderia ser sem fundo para essas lembranças caírem lá e nunca mais voltarem e a gente poder viver em paz...
todos os planos que você sonhou que não deram certo, todas as vontades que você teve que tiraram de você, todas as alegrias que você planejou que nunca chegaram: você se lembra de tudo isso... todos os anseios que você teve e que morreram antes de nascer.
ÀS VEZES RECORDAR NÃO É VIVER... é morrer aos pouquinhos... quieto, pra dentro, ou melhor, por dentro...em silêncio...
A vida às vezes se resume em estar completamente só no meio da multidão.

Realmente, Marília... essas lembranças ficam a espreita nos lembrando que tem algo debaixo do tapete. Que não foi realmente limpo e transformado, apenas escondido... e sempre vai voltar. Até que um dia a gente se torna forte de verdade e encara... encara o monstro embaixo da cama, encara o homem do saco na rua, encara aquele desamor que tanto nos feriu, encara o chefe que nos perseguiu, encara a vida. Mas isso tem um tempo, um tempo que a gente sempre acha demorar demais... pelo menos eu acho. rs. Mas é pq eu esqueço que sou imortal, e o tempo um mero detalhe. Mas que parece que demora, isso parece. Beijinhos.....
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